Interação de crianças com diferentes tipos de telas ilustra debates sobre infância e ambientes digitais. Impactos do uso de telas no desenvolvimento infantil são discutidos em disciplina na UFRGS e em nova linha de pesquisa do INCT-ECCE. (Foto: Sumali Ibnu Chamid/Alemedia.id)
O INCT-ECCE inaugura uma nova linha de pesquisa dedicada ao impacto do uso de telas na infância – tema relevante para a ciência e para a formulação de políticas públicas, mas ainda pouco investigado no contexto brasileiro. A iniciativa articula um macroprojeto de pesquisa e uma disciplina de pós-graduação, com o duplo objetivo de qualificar o debate acadêmico e fortalecer uma rede de colaboração que consolide essa agenda de investigação no país.
A iniciativa é liderada pelas pesquisadoras Giana Bitencourt Frizzo, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Andréia Schmidt, da USP (Universidade de São Paulo), e Caroline Fitzpatrick da Université de Sherbrooke, Canadá. Schmidt descreve os desafios que motivaram a parceria: “Há poucas pessoas no Brasil investigando o assunto. Eu encontrei a Giana, que é uma das pioneiras, com estudos publicados desde 2017. Nós duas já conhecíamos a Caroline e passamos a compor a equipe do INCT dedicada ao tema”.
O macroprojeto, com implementação prevista para o segundo semestre de 2026, inclui subprojetos longitudinais e multicêntricos, com participação de pesquisadores em diferentes níveis de formação (iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado).
Ensino e pesquisa articulados desde já
Como parte da estratégia de articulação entre pesquisa e ensino, Frizzo e Schmidt ministram a disciplina sobre Psicologia Digital e Infância no Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFRGS, com aulas entre 11 de abril e 26 de maio de 2026. Neste ano, a disciplina é restrita a estudantes da UFRGS. A perspectiva, segundo Schmidt, é que nos anos seguintes a disciplina se torne interinstitucional, oferecida na modalidade online a estudantes dos diversos programas de pós-graduação aos quais os pesquisadores responsáveis estão vinculados.
A disciplina aborda temas como o uso de telas no ambiente escolar e os efeitos do uso excessivo sobre o sono e o desenvolvimento infantil. O objetivo é atualizar os estudantes sobre o estado da arte, com ênfase em pesquisas conduzidas no Brasil e reunindo perspectivas disciplinares complementares.
Participam também como docentes convidados: Michael Pereira da Silva, professor de Saúde Pública na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande (FAMED – FURG); Daniel Tornaim Spritzer, professor de Psiquiatria da UFRGS; e Daniel Viana Abs da Cruz, professor de Psicologia Social da USP. “A ideia é reunir pesquisadores do Brasil que estudam de forma sistemática a relação entre crianças e telas”, explica Schmidt.
O INCT-ECCE investiga processos básicos de aprendizagem e sua tradução em tecnologias voltadas ao desenvolvimento infantil e à superação de déficits comportamentais. O Instituto é financiado, desde 2009, por chamadas MCTI/CNPq/CAPES/FAPs e teve a terceira fase aprovada no Edital 46/2024, com vigência prevista para 2025-2030.
Vanessa Ayres Pereira é Ph.D. em Análise do Comportamento e bolsista de Jornalismo Científico da FAPESP, vinculada ao INCT-ECCE (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comportamento, Cognição e Ensino).